×

Blog

Leishmaniose

Considerada pela OMS (Organização Mundial de Saúde) uma das principais zoonoses mundiais, a leishmaniose está presente em 88 países de quatro continentes. No Brasil, em 2005, houve aproximadamente 2,7 mil casos de doença, com concentração maior no Nordeste, que teve 1597 ocorrências. Além de ser um grave problema de saúde pública, a leishmaniose também atinge em cheio o mercado de animais de estimação. Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, região com forte incidência da doença, por exemplo, a população canina foi reduzida em aproximadamente em 40%. Isso ocorre porque há como medida governamental padrão o extermínio dos animais soropositivos. Além disso, as famílias amedrontadas com uma possível contaminação estão deixando de ter animais de estimação.    Segundo o presidente da Anclivepa-MS (Associação Nacional de Clínicos Veterinários e Pequenos Animais-MS), o veterinário Antônio Carlos de Abreu, clínicas veterinárias e pet shops viram o faturamento cair em até 40% no último ano. “Além de ser um grande problema para a saúde pública, a doença afeta economicamente o setor de pet shops e clínicas veterinárias”, afirma.    Engajados no combate à leishmaniose, a Anclivepa-MS fez um acordo com laboratórios e clínicas da região de Campo Grande para a redução nos preços dos medicamentos que combatem o vetor da doença, o mosquito-palha (flebótomo), nos exames de detecção e na vacina que previne a enfermidade. “Esperamos que, com o esforço de todos os participantes do seguimento veterinário, a médio prazo a gente consiga ver esta situação melhorar”, diz Abreu.   Clico da doença      A leishmaniose cumpre um grande ciclo antes de atingir o homem. Primeiro o vetor, mosquito-palha (flebótomo), pica e infecta um mamífero, que pode ser um cão. Este animal torna-se hospedeiro de protozoário Leishmania, causador da doença, cujos sintomas demoram de semanas até anos para aparecerem. O cão infectado pode ser picado novamente pelo mosquito que, por sua vez, poderá transmitir a enfermidade ao humano se vier a picá-lo.    Os sintomas da doença são bastante variáveis: desde animais assintomáticos até oligo/polisintomáticos, os quais podem apresentar lesões de pele, descamações, lesões oculares, linfadenopatias, epistaxis, anemia, emagrecimento, diminuição de apetite, alterações articulares ou distúrbios de locomoção, diarréia, hepatoesplenomegalia, onicogrifose, insuficiência renal e morte.    Por conta da variedade sintomática, o diagnostico da leishmaniose só pode ser feito com a realização de exames laboratoriais. O método considerado mais seguro é a observação direta em esfregaço de linfonodos ou medula óssea. Outros como a imunofluorescência indireta e o Elisa também apresentam alta sensibilidade, mas podem apresentar resultados falso-negativos ou falso-positivos.    Quanto ao tratamento ou não de animais infectados há muita controvérsia entre os veterinários. Alguns são a favor da eutanásia em qualquer cão cujo exame dê positivo, alguns são favoráveis ao tratamento daqueles positivos que não apresentam sinais da doença e alguns são favoráveis ao tratamento de cães que apresentam alguns sinais sem comprometimento ainda da função dos rins.    O presidente da ONG Arca Brasil, Marco Ciamp, é contra a política isolada do sacrifício dos animais doentes. Para ele, esta atitude é ineficaz e questionável sob a ótica humanitária. “A Arca Brasil é contra o sacrifício de cães contaminados como método isolado. A saúde pública do Brasil tenta controlar a doença com medidas de extermínio dos animais soropositivos e até mesmo em áreas de risco. Essa é uma atitude equivocada e questionável sob o viés humanitário, além de ser ineficaz, pois a incidência de leishmaniose só aumentou nos últimos anos”, enfatiza.    Para Ciamp, o envolvimento dos veterinários é fundamental para o combate da doença. Ele também diz que é necessário o controle ambiental do mosquito vetor, além do uso de produtos repelentes e medicamentos preventivos nos animais. “O avanço da urbanização e a conseqüente devastação das matas faz com que o mosquito perca seu habitat. Nas cidades, ele substitui seus hospedeiros naturais, os mamíferos silvestres, por cães e seres humanos. Por isso, é preciso limpar freqüentemente locais onde o vetor de multiplica, como os lixões, aterros sanitários, granjas e terrenos baldios”, indica.    O presidente da Arca Brasil diz ainda que as pet shops também podem ajudar na luta contra a leishmaniose promovendo campanhas de conscientização sobre as prevenções e tratamento da doença para pessoas que possuem animais.    Anclivepa-MS Arca Brasil   Tel.: (67) 3026-2696 Tel.: (11) 3031-6991